Texto publicado em 27 de Dezembro de 2010 - 02h35 Vera Gasparetto
de Florianópolis/SC
PortoGente entrevistou o economista Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Para ele, o País está no caminho de economia sustentável devido ao fortalecimento do mercado interno, gerado pela massa salarial que cresce com a criação de empregos e a melhoria na distribuição de renda. Para 2011, o desafio está na infraestrutura de transporte e de conhecimento.
PortoGente - A economia brasileira cresceu em 2010. Qual a razão desse desempenho?
Clemente Ganz Lúcio – São vários fatores, mas o grande fenômeno é a geração de empregos. O crescimento econômico que gera um volume de empregos, com essa geração houve inclusão produtiva, redução do desemprego e aumento da massa de salários que vira consumo e um circuito positivo para a economia. Também a política de valorização do salário mínimo e os ganhos salariais nos acordos coletivos. Essa massa de rendimento expressiva amplia a participação do mercado interno no crescimento, levando o País a um crescimento econômico sustentável.
PortoGente – Em relação aos investimentos que impacto causam na economia nacional?
Clemente Ganz Lúcio – O investimento produtivo em infraestrutura e na retomada dos setores industriais é uma dimensão responsável para sustentar o crescimento. A estratégia da Petrobras de fazer investimentos exigindo componentes nacionais para a indústria do petróleo e gás rebate no setor naval, que é um fornecedor importante. Essa decisão impacta a indústria naval brasileira a gerar milhares de postos de trabalho. O estado investe e mobiliza o setor privado a investir, construindo uma política industrial mais consistente.
PortoGente – Qual sua avaliação sobre as condições de infraestrutura no Brasil?
Clemente Ganz Lúcio – A dificuldade está no escoamento da produção e a ausência de um plano intermodal que integre o transporte, priorizando o ferroviário para integrar com o naval e o rodoviário. As mudanças em curso são lentas, dadas a dimensões do País e não dão conta da demanda de commodities na pauta de exportação e do escoamento da produção para os centros urbanos. Para exportar, há a necessidade de estrutura nos portos. Na área de inovação é preciso investimento e tecnologia na dimensão competitiva do produto “made in Brazil”. Padrão tecnológico é infraestrutura de conhecimento. O Brasil triplicou o investimento em ciência e tecnologia, mas ainda está longe de fazer frente a envergadura que o país tem no mundo
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Sem lógica, por Miriam Leitão
No primeiro balanço do PAC, o trem-bala não constava, no décimo, ele estava no primeiro lugar absorvendo metade dos investimentos previstos para o setor. Não foram feitos os estudos detalhados necessários para que as construtoras possam calcular suas ofertas, mas a licitação está prevista para o fim do ano. Já foi avaliado em R$ 18 bilhões, agora em R$ 34 bilhões e pode ir a R$ 70 bilhões.
Os especialistas em logística não sabem como foi que, de repente, o TAV, Trem de Alta Velocidade, virou a prioridade absoluta do país, e acham que pode custar o dobro do calculado. Enquanto isso, o investimento no Ferroanel de São Paulo caiu de R$ 528 milhões, na previsão do primeiro balanço do PAC, para R$ 20 milhões, no décimo balanço.
Os especialistas em logística não sabem como foi que, de repente, o TAV, Trem de Alta Velocidade, virou a prioridade absoluta do país, e acham que pode custar o dobro do calculado. Enquanto isso, o investimento no Ferroanel de São Paulo caiu de R$ 528 milhões, na previsão do primeiro balanço do PAC, para R$ 20 milhões, no décimo balanço.
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