Cancún (México), 6 dez (EFE).- Organismos públicos e privados brasileiros apresentaram nesta segunda-feira na 16ª Conferência da ONU sobre Mudança Climática (COP-16) o Projeto Biomas, com o qual pretendem aumentar a produção agrícola sem desflorestar o país nos próximos anos.
A senadora Katia Abreu, presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e Gustavo Curcio, da Embrapa e coordenador do projeto, apresentaram a iniciativa.
O projeto pretende disponibilizar 240 pesquisadores em florestas tropicais do Amazonas e do Atlântico, savanas, terras úmidas, pastagens e pampas para estudar formas de ampliar a utilização de árvores, espécies nativas ou exóticas em áreas de preservação florestal.
A princípio serão destinados US$ 33 milhões a uma "democratização da ciência no terreno", disse Curcio, com a finalidade de sugerir aos produtores práticas de desenvolvimento sustentável.
Fontes ligadas ao projeto indicaram que seu propósito é "aumentar a produção sem destruir" as áreas florestais que já existem.
O projeto começou com a delimitação das seis áreas nas quais será desenvolvido, disseram os responsáveis.
O Brasil é atualmente o terceiro produtor agrícola do mundo, com 23% do Produto Interno Bruto (PIB) procedente desse setor, atrás de Estados Unidos e União Europeia (UE). EFE
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Esalq prevê que produção do País crescerá 70% em 10 anos
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10/29/2010 02:09:00 AM
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Esalq,
novas tecnologias para produção de alimento,
produção agrícola
Daniel Popov
SÃO PAULO - A produção agrícola mundial vai crescer aproximadamente 40% nos próximos 10 anos, com destaque para Brasil, que deve responder por 70% deste total. A previsão é de Roque Dechen, diretor da Escola Superior de Economia Aplicada (Esalq), para quem o setor aposta em sustentabilidade e tecnologia para manter a qualidade da matéria-prima e os altos índices de crescimento vistos nos últimos anos.Em linha com essa previsão, a Nestlé, que prevê crescer em média 5% ao ano na produção de lácteos no mundo, deve disponibilizar mais de US$ 50 milhões em microcrédito para que seus produtores invistam em sustentabilidade.
Para Roberto Dechen, que também é vice-reitor da USP (Universidade de São Paulo), a palavra de ordem no setor agrícola brasileiro é sustentabilidade. Ele falou ontem sobre o assunto durante o 2º Fórum de Criação de Valor Compartilhado realizado pela Nestlé.
"Todos temos que nos preocupar com a sustentabilidade da produção agrícola, que gera tanto a qualidade de matéria-prima, quanto segurança alimentar. Hoje isso é cobrado tanto do profissional de agronomia, quanto do estudante, exatamente para que tudo que faça seja focado na sustentabilidade. Todas as ações do plantio, a colheita e a transformação do produto têm de estar pautadas na sustentabilidade", comentou Roberto Dechen.
Dechen disse que para obter bons resultados nas produções é obrigatório aliar a sustentabilidade, que se baseia no desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades, aos avanços tecnológicos. "Estamos preocupados com o crescimento esperado no País nos próximos anos, é preciso investir muito em novas tecnologias". argumentou.
Além disso, o vice-reitor também defende a mudança na grade de ensino das atuais faculdades de agronomia, para maior preparo em relação a demanda produtiva do setor até 2020. "O estudante que ingressar em 2011 em alguma faculdade de agronomia, se formará em meio aos crescimentos do setor, e precisa preparo para enfrentar esse novo cenário", finalizou.
A aposta brasileira parece também refletir as expectativas mundiais, contou o diretor da Divisão Agrícola da Nestlé S.A., Hans Jöhr. Para ele, o tema sustentabilidade é uma tendência mundial, já que ela está atrelada a preservação do meio ambiente, melhoria na qualidade de produtos, e aumento de produção. "Isso está encravado em nosso DNA. Temos programas muito ambiciosos para os próximos anos", mencionou.
Próximos anos
Jöhr comentou ontem que a Nestlé projeta um aumento de 5% ao ano na produção de itens lácteos no mundo, que representa um incremento de aproximadamente 100 mil vacas a produção por ano.
Segundo ele, a empresa mundial realiza um total de compras superior a US$ 23 bilhões em matérias-primas, como o café, o cacau e o leite, junto aos pouco mais de 540 mil produtores parceiros da Nestlé. Deste total dois terços são oriundos de países emergentes. "Nesses países temos a nossa fonte de matérias-primas de qualidade, além de nos ajudar na interação com países onde não temos uma estrutura claramente formada", contou.
A companhia suíça afirmou que disponibiliza mais de US$ 50 milhões em microcréditos para auxiliar esses produtores, além de estudos agronômicos para otimizar e melhorar a qualidade dos produtos, e profissionais para prestar assistência técnica nas lavouras. "O desenvolvimento rural é uma preocupação da empresa desde a sua criação. A Nestlé também possuí pesquisas coletadas de dados e técnicas para obter um item de alta qualidade, para fornecer aos produtores de leite da região. E até concessão de microcrédito temos como incentivo para o uso de novas tecnologias".
No Brasil, a Nestlé lidera o ranking de captação de leite fresco, trabalhando com cerca de seis mil produtores diretos 40 mil indiretos. "Desde que está no País - há 79 anos -, a empresa atua com projetos de desenvolvimento rural, com foco principalmente na cadeia do leite", lembrou Jöhr.
Poli/USP inaugura laboratório de sustentabilidade
21/9/2010
Agência FAPESP – A Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou o Laboratório de Sustentabilidade em Tecnologia de Informação e Comunicação (Lassu), abrigado no Departamento de Engenharia, Computação e Sistemas Digitais.
O laboratório atuará nas áreas de ensino, pesquisa, cultura e extensão em engenharia de computação, visando ao desenvolvimento social, à proteção ambiental e ao crescimento econômico sustentável.
De acordo com Tereza Cristina Carvalho, professora de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli e diretora do laboratório, a proposta é promover pesquisas ligadas à reciclagem de eletroeletrônicos e incentivar a iniciativa privada na elaboração de projetos sustentáveis.
Agência FAPESP – A Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou o Laboratório de Sustentabilidade em Tecnologia de Informação e Comunicação (Lassu), abrigado no Departamento de Engenharia, Computação e Sistemas Digitais.
O laboratório atuará nas áreas de ensino, pesquisa, cultura e extensão em engenharia de computação, visando ao desenvolvimento social, à proteção ambiental e ao crescimento econômico sustentável.
De acordo com Tereza Cristina Carvalho, professora de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli e diretora do laboratório, a proposta é promover pesquisas ligadas à reciclagem de eletroeletrônicos e incentivar a iniciativa privada na elaboração de projetos sustentáveis.
Clima e ambiente no centro de tudo /// Washington Novaes
Também estão complicadas as negociações sobre um fundo para combater o desmatamento (Redd): os financiamentos serão no nível nacional (governos doadores para governos receptores)? Ou poderão ser diretamente no nível subnacional (para governos estaduais), como desejam EUA e Colômbia? Ou poderá haver repasse dos governos nacionais para outros níveis? Em que condições?
Não é segredo – e o próprio secretário-geral da convenção, Yvo de Boer, já o admitiu em público – que se chegue aqui apenas a uma declaração conjunta que, depois de enumerar avanços e compromissos concretos já atingidos, crie um novo mandato que permita estender as negociações para 2010 (o atual mandato, aprovado em Bali, em 2007, encerra-se aqui). Mas, como se mencionou neste espaço na semana passada (11/8), as alternativas são difíceis. No primeiro semestre, por causa da Copa do Mundo na África; no segundo, porque teria de ser na próxima reunião da convenção, em dezembro, no México – o que poderia criar uma visão de fracasso para esta COP 15. Já há diplomatas, inclusive brasileiros, cogitando de uma prorrogação dessa reunião para maio de 2010.
Enquanto isso, fica claro nesta reunião que o tema das mudanças climáticas e toda a chamada questão ambiental estão ganhando um novo status. E esse “upgrade” se explica por vários motivos: 1) A gravidade dos chamados eventos climáticos extremos que já estão acontecendo no mundo e no Brasil e a perspectiva de agravamento se não se reduzirem fortemente as emissões, enfatizada aqui pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que menciona a concordância de mais de 90 mil cientistas no mundo com seus diagnósticos; 2) o extraordinário potencial brasileiro, que fascina o mundo, com possibilidade de matriz energética renovável e limpa, a maior biodiversidade do planeta e a presença de florestas em seu território continental, recursos hídricos invejáveis – tudo com que o mundo sonha. O fato de o governo federal haver adotado metas de redução de emissões, ainda que apenas voluntárias, e não como compromisso no âmbito da convenção, também contribui para a imagem do País na opinião pública mundial. Mas não se pode deixar passar em branco que a presença em Copenhague de três possíveis candidatos à sucessão presidencial – a ministra Dilma Rousseff, comandando a delegação brasileira e se expondo diariamente ao bombardeio dos jornalistas; o governador José Serra, promovendo eventos com figuras como o governador da Califórnia, falando da política de seu governo de redução de emissões em seu Estado e assinando acordo de financiamento com BID e Banco Mundial; e a ex-ministra e senadora Marina Silva, desembaraçada das contingências ministeriais e assumindo um discurso mais duro – contribui muito para o “upgrade” no plano interno das questões climática e ambiental. Elas serão um dos temas centrais da próxima campanha presidencial.
E ainda há mais. É muito forte a presença de governadores, parlamentares e empresários em Copenhague, estes últimos tanto na qualidade de dirigentes de suas instituições como em caráter em pessoal – nas áreas da agropecuária, da construção, da indústria, do comércio, da energia, de setores especializados no mercado de carbono. E todos os dias há discussões paralelas. Como, por exemplo, sobre emissões da agropecuária brasileira, que já chegaram a mais de 1 bilhão de toneladas anuais equivalentes de dióxido de carbono em 2003 e baixaram para 869 milhões em 2008. Também nessas discussões se mencionou que 1 quilo de carne industrializada pode gerar até 300 quilos de carbono emitido. Mas os empresários parecem estar atentos, alguns deles mencionando a possibilidade de reduzir o rebanho até pela metade, com técnicas de confinamento que permitam baixar o tempo para o abate e aumentar o rendimento. Ou mudando a alimentação para reduzir as emissões de metano pelo gado. Também se discute ser imprescindível adotar sistemas de rastreabilidade para a carne exportável – fortemente recusados em algumas áreas – como condição para recuperar mercados, como o europeu, perdido também pela falta dessa rastreabilidade.
Enfim, não é temerário afirmar que o Brasil não será o mesmo após esta reunião, qualquer que seja o desfecho das negociações. Mudanças climáticas e meio ambiente tenderão a deslocar-se para o centro do palco, principalmente na campanha eleitoral pela Presidência da República de 2010. Que terá ainda, contribuindo na mesma direção, as prováveis novas negociações na convenção e as eleições para o Congresso dos EUA, do qual dependem a aprovação da política do clima proposta pelo presidente Barack Obama e a aprovação de qualquer financiamento para reduzir emissões em outros países.
Já não é sem tempo.
Washington Novaes é jornalista . E-mail: wlrnovaes{at}uol.com.br
Artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo.
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