Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)

China leads accusation that rich nations are trying to sabotage climate treaty/The Guardian

Angry statement from 131 countries at climate talks in Bangkok claims rich nations are rejecting historical responsibilities
John Vidal, environment editor in Bangkok guardian.co.uk, Monday 5 October 2009 12.02BST

The US and other developed countries are attempting to "fundamentally sabotage" the Kyoto protocol and all-important international negotiations over its next phase, according to coordinated statements by China and 130 developing countries at UN climate talks in Bangkok today.

As 180 countries started a second week of talks, the developing countries showed their deep frustration at the slow pace of the negotiations on a global climate deal, which are planned to be concluded in two months' time in Copenhagen.

"The reason why we are not making progress is the lack of political will by Annex 1 [industrialised] countries. There is a concerted effort to fundamentally sabotage the Kyoto protocol," said ambassador Yu Qingtai China's special representative on climate talks. "We now hear statements that would lead to the termination of the protocol. They are introducing new rules, new formats. That's not the way to conduct negotiations," said Yu.

Yu's was echoed by Lumumba Di-Aping, Sudanese chair of the G77, the UN's largest intergovernmental organisation of developing states which represents 130 countries at the talks. "Feelings are running high in the G77. It is clear now that the rich countries want a deal outside the Kyoto agreement. It would be based on a total rejection of their historical responsibilities. This is an alarming development. The intention of developed countries is clearly to kill the protocol," he said.

The angry statements follow a revelation by Barack Obama's energy adviser, Carol Browner, that she did not expect the US Senate to vote on its crucial global warming bill before the Copenhagen talks. That will severely limit Obama's room for manoeuvre at the summit and is the first time the White House has made such an admission.

The G77 plus China group is incensed that rich countries appear to be seeking to establish a new agreement that would force developing countries to cut emissions, but allow rich countries to do little.

In the talks, the US has said it wants a new approach which would move away from a legally binding world agreement to one where individual countries pledged cuts in their national emissions without binding timetables and targets. It is a change from the top down approach of Kyoto, in which total emissions targets are determined by the science, to one in which individual countries pledge their own emissions cuts.

This is seen as undermining the Kyoto framework, which took many years to build, and has until now been the foundation for committing all countries to cut their emissions. The US team in Bangkok declined to respond to today's criticism.

Developed countries have so far refused to show their hand on what their emission cuts should be. The UN's Intergovermental Panel on Climate Change has estimated that to keep below a 2C rise in temperatures they need to cut their emissions by 25-40% by 2020, compared with 1990 levels. But developing countries are calling for an aggregate cut of at least 40%.

But with fewer than 10 days of formal negotiations left before the Copenhagen talks begin, poor countries are complaining that they are being expected to cut emissions but the US and others are being allowed to get away with minimal cuts.

The UN estimates that the combined cut from national pledges made by rich countries, without the US, comes to 16-23%. However, a new analysis by the Alliance of Small Island States, estimates that this drops to just 11-18% with the US's present offer. If rich countries are allowed to offset large amounts of emissions, as expected, this would mean that the world's rich countries might not to have to make any emissions cuts at home.

Several of the world's largest developing countries including China and India, Indonensia and Mexico have indicated that they are ready to make significant emissions cuts.

"The United States wants only to have a national target without binding it to a global treaty. It appears to have won over many other developed countries," said Martin Khor, the director of the South Centre, a think tank of poor countries based in Geneva.

"They are stressing that developing countries have 'common' responsibilities, a code for pulling in the developing countries into emission-reduction obligations, while down-playing the 'differentiated' responsibilities that recognise that the developing countries have had little role in the historic emissions and need space for economic development."

Ed Miliband, the secretary of state for energy and climate change, said he remained optimistic that a deal could be struck at Copenhagen, despite the increase in tension in Bangkok. He said he was confident heads of state would be able to succeed in December where their official negotiators had apparently so far failed.

"This is really too important to be left to formal negotiators. If we are to get an agreement we need leaders, who can knock heads together," Miliband said, speaking in Moscow, where he is on a two-day official visit. He told the Guardian: 'If we treat this like a conventional negotiation we are going to fail... I think leaders can crack this problem.'

link:www.guardian.co.uk/environment/2009/oct/05/climate-change-kyoto

Mudanças Climáticas: diagnósticos graves na rota de Copenhagen

Washington Novaes, Estadão,02/10

Há umas duas semanas, um vendaval arrastou ou fez ruir dez casas na aldeia waurá, no Alto Xingu. Muitas pessoas ficaram feridas, duas mulheres gravemente. Embora surpresos com o ineditismo de um vendaval naquela área, os waurás iniciaram imediatamente a reconstrução das casas, agora preocupados em torná-las mais resistentes. O vendaval é consequência do desmatamento em todo o entorno do Parque do Xingu, pelo plantio da soja e implantação de pastos: o vento forte não encontra mais resistência, atrito, e chega a áreas aonde nunca chegara.

Estranho que pareça, os índios do Xingu mostram-se à frente de quase toda a sociedade brasileira, promovendo o que os cientistas do clima chamam de "adaptação" ao novo quadro climático naquilo que ele tem de irreversível e exige transformações muito rápidas. Construções mais resistentes são um desses caminhos, como tantos eventos no Sudeste no Nordeste do País têm mostrado ser necessário. E quem ler alguns relatórios e estudos recentes com certeza vai se alarmar e concluir que nosso atraso é muito preocupante.

Na semana passada, enquanto o G-20 não conseguia passar do terreno das intenções nessa matéria do clima, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicava um relatório (Climate Change Science Compendium) no qual afirma que as mudanças climáticas, no ritmo e na escala de hoje, "podem estar ultrapassando as previsões mais pessimistas feitas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas em 2006". E eventos previstos para o longo prazo podem estar muito mais próximos.

Na Europa, por exemplo, o relatório menciona o derretimento dos gelos nos Alpes e nos Pireneus; a seca extrema em áreas do Mediterrâneo; acidificação dos oceanos, com maior absorção de carbono. Também menciona a forte perda de gelos na Groenlândia e em outras áreas (60% mais que a perda recorde de 1998), que pode levar a uma elevação do nível dos oceanos de até dois metros no fim do século (ou dez vezes mais nos próximos séculos).

Amazônia, Norte da África e Índia podem ser atingidos por eventos muito fortes antes do que se previa. A perda de gelos nas montanhas pode afetar até 25% da população com falta de água para consumo, irrigação e produção de energia. Podem desaparecer alguns climas típicos de certas regiões. O Semiárido nordestino pode perder 10% de seus já escassos recursos.

Tudo isso leva o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a fazer um apelo no relatório (que sintetiza 400 estudos científicos recentes) em favor de ações imediatas. "O tempo para hesitações acabou", diz ele. E como não concordar, se a possibilidade é de aumento de 3 a 4 graus na temperatura da Amazônia em 50 anos? Se já há mudanças "irreversíveis" em toda a América do Sul, até na Patagônia, com a "redução drástica" dos gelos? Se se amiúdam eventos - que o relatório menciona - como os do Sul e do Nordeste brasileiros em 2008-2009? Se Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile enfrentaram a pior seca em 50 anos?

Não faltam, pois, sinais de alerta. As emissões globais de poluentes, que subiram 1,1% ao ano entre 1990 e 1999, aumentaram para 3,5% anuais de 2000 a 2007. E, diz o relatório, são claros e visíveis os efeitos da concentração de poluentes na elevação do nível do mar, na acidificação dos oceanos e nas mudanças de suas correntes. Com a atual tendência, os gelos polares poderão ter desaparecido até 2030.

O documento do Pnuma não foi a única advertência grave na semana passada. Relatório de 29 cientistas na revista Nature - entre eles o renomado James Hansen, da Nasa, e Robert Constanza, que se notabilizou pelos estudos sobre o valor monetário da biodiversidade - alinha nove limites planetários que não deveriam ser ultrapassados, mas já o foram ou estão próximos disso, por causa de ações humanas. Na concentração de poluentes na atmosfera, por exemplo, dizem os cientistas que não deveríamos ultrapassar 350 partes por milhão (ppm), mas já estamos em 387; na perda da biodiversidade, já fomos muito além de qualquer limite prudente; também nos ciclos do nitrogênio e do fósforo, na depleção da camada de ozônio, na acidificação dos oceanos, assim como na poluição química. Estamos próximos de atingir o limite nas mudanças no uso da terra e no uso de água por pessoa.

Enquanto a ciência mostra a gravidade do quadro, por aqui continuamos patinando. O Plano Nacional de Mudanças Climáticas continua perdido no Congresso. O novo inventário das emissões brasileiras, anuncia-se agora, só incluirá até o ano 2000. O zoneamento ecológico/econômico para a expansão do álcool permitirá que ele continue avançando no Cerrado, que está perdendo imensas áreas de vegetação a cada ano e já emite tantos poluentes quanto a Amazônia (350 milhões de toneladas/ano de CO2) . Leilões de energia continuam a prever forte participação de termoelétricas, altamente poluidoras. E por aí afora. Embora o governo continue a manifestar preocupação com o clima, ainda não aceita compromissos de redução das emissões, só metas voluntárias.

A ONG Vitae Civilis, que acompanha as convenções do clima, prevê alguns cenários alternativos para a reunião decisiva em Copenhague, em dezembro (há uma preparatória esta semana, em Bangcoc): 1) Um acordo que fique aquém da necessária redução das emissões em 40% até 2020 e 80% até 2050, para evitar que a temperatura suba além de 2 graus; 2) impasse: ao final, apenas um relatório da convenção, sem efeitos práticos; 3) um acordo apenas dos países industrializados (e de efeitos incertos); e 4) decisões da convenção que não sejam obrigatórias para todos. E seriam indispensáveis problemáticos US$ 300 bilhões anuais dos países industrializados para os demais, de modo a que estes possam fazer a mitigação e a adaptação necessárias.

No momento, diz a ONG, "a situação é muito grave".

Bota "grave" nisso.
Artigo publicado no jornal Estado de São Paulo,2/10/2009

SAÚDE PÚBLICA:Fast Food;Muito Cuidado Com o Seu Próximo Hamburguer

Artigo de Michael Moss do NY times, publicado em 04/outubro/2009

Stephanie Smith, uma jovem instrutora de dança para crianças, achou que era apenas uma dor de cólica... que tinha um vírus estomacal, ou como conhecemos e estamos já familiarizados ...uma infecção intestinal. As dores e cólicas eram ainda toleráveis durante o primeiro dia, e ela conseguiu terminar suas aulas.

Depois disso o quadro progrediu para diarréia sanguinolenta. Seus rins pararam de trabalhar.Ocorreram convulsões tão implacáveis que os médicos tiveram de colocá-la em coma por nove semanas. Quando ela saiu, não conseguia mais andar. O impacto aflitivo devastou seu sistema nervoso e a deixou paralisada.

Identificou-se que ela teve uma forma grave de intoxicação alimentar causada pela bactéria E. coli.

Após este evento houve uma investigação minuciosa,realizada pelo fornecedor do hambúrguer, a qual identificou a bactéria presente no hambúrguer que ela havia ingerido no jantar de domingo no início do outono de 2007.
"Eu me pergunto a cada dia, 'Por que eu?" E "Por que a partir de um hambúrguer?" Questiona-se.

Seus rins encontram-se em alto risco de colapso. Ela está lutando para recuperar algumas habilidades básicas da vida e lidar com a raiva que por vezes a envolve. Apesar de sua determinação, os médicos dizem, ela provavelmente nunca mais voltará a andar.

A reação da Sra. Smith para a cepa virulenta de E. coli foi um caso extremo, mas rastreando a história do seu “burger”, através de entrevistas e registros do governo e das empresas produtoras, obtida pelo The New York Times, conclui-se que comer carne moída é ainda uma "aposta".

Nem o sistema responsável por tornar a carne segura e confiável; nem a própria carne, é aquilo que os consumidores têm sido levados a acreditar.

Não é um Caso Isolado
Em 1994 um surto de contaminação ocorreu na cadeia de restaurantes "Jack in the Box" resultando em quatro crianças mortas. A venda de carne moída com suspeita de contaminação pelo E.coli foi proibida em empresas processadoras de carne e mercados. Ainda assim, dezenas de milhares de pessoas anualmente são contaminadas por este patógeno.Funcionários da agencia federal de saúde dos EUA apontam o hambúrguer como o principal responsável.
A carne moída foi responsabilizada por 16 focos nos últimos três anos, incluindo a uma Sra. Smith, que ficou paralisada da cintura para baixo. Este verão, a contaminação levou à retirada de carne bovina de cerca de 3.000 mercados em 41 estados.


Carne moída, geralmente, não é simplesmente um pedaço de carne processado através de um moinho de carne. Em vez disso, registros e entrevistas mostram, uma única grande porção de carne processada para fabricar hambúrguer é muitas vezes uma mistura de vários tipos de carne de diferentes partes das vacas e até mesmo de diferentes matadouros. Estes cortes de carne são particularmente vulneráveis à contaminação por E. coli,afirmam oficiais de saúde e especialistas em alimentos.

Além disso, não há nenhuma exigência federal que obrigue a inspeção destes moedores industriais no sentido de realização de testes especificos em seus ingredientes (o material a ser moído) quanto à presença desta bactéria.

Composição do Hamburguer
Os hambúrgueres congelados ingeridos pelos Smiths foram produzidos pela gigante de alimentos Cargill. Contudo dados de controle confidenciais de moagem e outros registros da Cargill indicam que os hambúrgueres foram feitos de uma combinação de aparas de matadouros diferentes e um outro produto derivado de restos de carne moída que encontravam-se disponíveis em uma fábrica do estado de Wisconsin. Os ingredientes eram provenientes de matadouros em Nebraska, Texas e no Uruguai, e de uma empresa Dakota do Sul, a qual utiliza um processo á base de amônia sobre as aparas de gordura a fim de tratá-las e assim eliminando as bactérias.


25% menos de Custo
Usando uma combinação variada de fornecedores (uma prática seguida pela maioria dos grandes produtores de hambúrguer frescos e embalados) permitiu que a Cargill gastasse cerca de 25 por cento menos do que gastaria se utilizasse os cortes de carne inteiros, mais nobres.

A Cargill é a maior empresa do ramo,realizou 116,6 bilhões dólares em receitas no ano passado.
Recusou pedidos da imprensa para visitar suas instalações. "A Cargill não está em condições de responder às suas questões específicas e afirmarmos que estamos comprometidos com a melhoria contínua na área da segurança alimentar", disse a companhia.

O Risco
Em 16 de agosto de 2007, o dia em que o hambúrguer da Sra. Smith foi feito, o moedor No.3 na fábrica da Cargill em Butler, Wisconsin, iniciou a operação ás 6:50 da manhã.
O principal ingrediente eram aparas de carne, mistura conhecida como "50/50 "- metade de gordura, metade de carne - que custam cerca de 60 centavos de dólar por libra, o que barateia substancialmente o custo do produto final.

A Cargill adquiriu estes aparas – nacos de gordura separadas da carne nobre do animal- de uma empresa chamada Greater Omaha Packages, onde cerca de 2.600 bovinos são abatidos diariamente e processados em uma usina do tamanho de quatro campos de futebol.

Tal como acontece com outros matadouros, o potencial de contaminação está presente em cada passo do caminho, de acordo com os trabalhadores e os inspetores federais. O gado, muitas vezes chega com manchas de fezes de confinamento que abrigam o patógeno E. coli e deveriam ser retirados com cuidado para mantê-lo fora da carne. Isto é especialmente crítico para as aparas cortadas a partir da superfície externa da carcaça.


Confiablidade
"A carne moída não é um produto totalmente seguro", disse o Dr. Jeffrey Bender, um especialista em segurança alimentar da Universidade de Minnesota, que ajudou a desenvolver os sistemas de rastreamento de contaminação por E. coli.

Os cientistas que estudam alimentos/nutrição registraram crescente preocupação com a virulência deste patógeno já que apenas algumas poucas células dispersas podem fazer alguém doente, e advertem que a orientação federal para cozinhar bem a carne e para lavar-se depois, não é suficiente.

Leia o artigo completo( em inglês) neste link
http://www.nytimes.com/2009/10/04/health/04meat.html?_r=1&th=&emc=th&pagewanted=all

Trail of E. Coli Shows Flaws in Inspection of Ground Beef/NYtimes,october/04

By MICHAEL MOSS
Published: October 3, 2009


Stephanie Smith, a children’s dance instructor, thought she had a stomach virus. The aches and cramping were tolerable that first day, and she finished her classes.

Stephanie Smith was in a coma for nine weeks after being infected with E. coli.

Then her diarrhea turned bloody. Her kidneys shut down. Seizures knocked her unconscious. The convulsions grew so relentless that doctors had to put her in a coma for nine weeks. When she emerged, she could no longer walk. The affliction had ravaged her nervous system and left her paralyzed.

Ms. Smith, 22, was found to have a severe form of food-borne illness caused by E. coli, which Minnesota officials traced to the hamburger that her mother had grilled for their Sunday dinner in early fall 2007.

“I ask myself every day, ‘Why me?’ and ‘Why from a hamburger?’ ”Ms. Smith said. In the simplest terms, she ran out of luck in a food-safety game of chance whose rules and risks are not widely known.

Read the full article here:
http://www.nytimes.com/2009/10/04/health/04meat.html?_r=1&th=&emc=th&pagewanted=all

Agroquímicos, os venenos continuam à nossa mesa

Artigo de Henrique Cortez
[EcoDebate] Já discuti este tema antes, mas, diante do continuado crime de nosso envenenamento alimentar, acho necessário retomar a discussão e atualizar as informações e referências.

A agricultura “tradicional” se orgulha de produzir alimentos mais do que suficiente para alimentar o planeta e a indústria química se orgulha de ter desenvolvido os insumos utilizados para isto.

Devemos nos perguntar qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos. Quem arca com as consequências e quem realmente paga por isto?

Não pretendo discutir o manejo do solo, a sua utilização intensiva e extensiva, a ponto do solo precisar de permanente aplicação de fertilizantes ou de que a produção animal seja um exemplo do horror da exploração desumana.

Prefiro falar do nosso longo e lento envenenamento diário. Prefiro discutir a comida que nos mata.

Há algum tempo assisti a um telejornal no qual um produtor de morangos, do interior de SP, declarou (devidamente protegido pelo anonimato) que não consumia o morango que produzia por causa dos agrotóxicos. Deste dia em diante passei a estar mais atento ao veneno na minha mesa.

Para colocar o tema em discussão, nem será preciso nada mais do que fazer um rápido e pequeno balanço do que já publicamos.

A intensa utilização de agrotóxicos na nossa agricultura foi claramente demonstrada no Censo Agropecuário 2006, confirmando que quase 80% de proprietários rurais usam agrotóxico.

Uma pesquisa da Fiocruz, em Pernambuco, identificou a presença de parasitos em 96,6% das amostras de alface coletadas em supermercados e feiras livres da cidade. E isto nas alfaces cultivadas pelo método tradicional, o orgânico e hidropônico.

No Japão, em setembro/2009, o arroz importado da China contaminado com pesticida e fungo levou ministro da agricultura a renunciar. Neste lamentável caso de ganância irresponsável (mais uma dentre tantas), o arroz foi importando para uso industrial, na produção de colas, mas funcionários da Mikasa Foods desviaram o lote para produção de comida, que contaminada por pesticida e fungo, foi servida em escolas, restaurantes, hospitais, lojas e lanchonetes.

O imenso volume de herbicidas aplicados no Brasil contaminam os solos, os mananciais e até mesmo o aqüífero Guarani. A contaminação dos mananciais e aqüíferos também chegará até nós pela água que bebemos e pelos produtos agrícolas irrigados com a água contaminada.

(...)Um outro estudo nos EUA demonstrou a contaminação da água de poços domésticos, o que não deve ser muito diferente por aqui, principalmente nas zonas rurais, intensamente expostas pela aplicação dos agrotóxicos

Até mesmo os produtos orgânicos podem ser contaminados indiretamente, como é o caso dos antibióticos usados em animais e que são absorvidos pelas hortaliças cultivadas em solo adubado com resíduos animais. A agricultura orgânica é intensa utilizadora da adubação orgânica.

O abusivo uso de antibióticos levou a Coréia do Sul a rejeitar frango contaminado com antibióticos procedente do Brasil. Se isto acontece com o frango de exportação, o que acontecerá com o frango consumido por aqui mesmo?

(...)A contaminação das abelhas é um desastre global que ameaça a produção de alimentos. A segurança alimentar está ameaçada e a crise alimentar pode adquirir contornos ainda mais trágicos, se a maciça morte de colônias inteiras de abelhas continuar no ritmo atual. Sem este pequeno inseto polinizador os efeitos na produção agrícola podem ser devastadores.

Poucas pessoas sabem que as abelhas prestam serviços ambientais muito mais relevantes do que a mera produção de mel. As mais de 20 mil especies de abelhas polinizam a floração de, pelo menos, 90 culturas, tais como maçãs, nozes, abacates, soja, aspargos, brócolos, aipo, abóbora e pepino, laranjas, limões, pêssegos, kiwi, cerejas, morangos, melões, milho, etc.

Como já havia ocorrido com o tomate, a batata, o figo e o morango, também a uva recebe grandes doses de agrotóxicos. Uma pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre o efeito de agrotóxicos em vinicultores do Rio Grande do Sul revelou altos índices de intoxicação.

Falando em uva, uma pesquisa comprovou que a exposição de ratas grávidas ao fungicida vinclozolin provocou inflamação na próstata dos filhos quando adultos. Este é um fungicida muito utilizado em uvas.

Acesse o artigo completo neste link:
http://www.ecodebate.com.br/2009/10/03/agroquimicos-os-venenos-continuam-a-nossa-mesa-por-henrique-cortez/

Fazendas de Camarão

Fish Farming

The problem with salmon farming in BC

Aquacultura: Fazendas de Peixes

por Laercio Bruno Filho

Hoje o Planeta possui por volta de 7 bilhões de pessoas, em 2015 serão muito mais de 10 bilhões . Alguns estudos apontam para um ponto de inflexão quando se avalia a disponibilidade de água e alimentos para as próximas décadas, especialmente em países da Africa e Asia. Estudos já apontam que em 2015 faltará água tratada para alguns bilhões de habitantes destas regiões. A falta de alimentos segue a mesma tendencia.

Nas ultimas decadas surgiram novas tecnologias para produção de alimentos já prevendo este cenario de grande escassez e visando mitigar os impactos dele decorrentes .
A Aquacultura é uma destas tecnologias.

Abaixo apresentamos um sumario composto pelos principais pontos identificados pelo recente relatório sobre a Produção Industrial de Peixes, de autoria da cientista de Rosamond L. Naylor,professora de ciência ambiental & sistema da Terra da Universidade de Stanford e diretora do Programa de Stanford sobre a Segurança Alimentar e Meio Ambiente.


1- Aquacultura, significa criação de peixes em fazendas aquáticas. Hoje esta industria responde por 50% do pescado consumido no mundo, segundo um novo relatório por uma equipe internacional de pesquisadores.

2- A indústria de peixe em fazendas é mais eficiente do que nunca, mas pressiona a vida marinha no sentido de que captura e utiliza peixes, como a sardinha, para fabricar a ração de engorda para peixes criados em cativeiro.

3- Entre 1995 e 2007, a produção global de peixes cultivados quase triplicou em volume, em parte devido à crescente procura dos consumidores por ômega-3,os ácidos gordos. Os peixes gordos, como o salmão, são importante fonte desses ômega-3, que são eficazes na redução do risco de doença cardiovascular, de acordo com o National Institutes of Health.

4-"A enorme expansão está sendo impulsionada pela demanda", disse a autora Rosamond L. Naylor,professora de ciência ambiental & sistema da Terra na Universidade de Stanford e diretora do Programa de Stanford sobre a Segurança Alimentar e Meio Ambiente. "Quanto mais a população se conscientiza sobre os benefícios do Omega-3, maior a pressão sobre os a pesca de peixes selvagens que servirão para ração.

5- Para maximizar o crescimento e melhorar o sabor,as fazendas produtoras utilizam grandes quantidades de farinha e óleo de peixe selvagem de menor valor,incluindo anchovas e sardinhas.

6- Em 2006, a produção da aquacultura foi de 51,7 milhões de toneladas, e cerca de 20 milhões de toneladas de peixes selvagens foram colhidas para a produção de farinha de peixe.

7- "Pode utilizar até 5 quilos de peixe selvagem para produzir 1 quilo de salmão, e nós comemos um monte de salmão", diz Naylor, da William Wrigley Senior Fellow na Universidade de Stanford.

8- Uma maneira de tornar o salmão de cativeiro ambientalmente mais sustentável é simplesmente reduzir a quantidade de óleo de peixe na sua dieta. Segundo o autor, uma redução de apenas 4% no óleo de peixe poderia reduzir significativamente a quantidade de peixes selvagens capturados.

9- As espécies vegetarianas, como a carpa chinesa e tilápia,podem ser criados com alimentos feitos a partir de plantas, em vez de peixes selvagens capturados. Por conta disso o criadouro de peixes vegetarianos têm sido considerado mais ambientalmente adequado.

10- No início dos anos 90, as fazendas de peixes vegetarianos começaram a adicionar pequenas quantidades de farinha de peixe na sua alimentação para aumentar os rendimentos. No entanto, entre 1995 e 2007, os agricultores reduziram a percentagem de farinha de peixe em dietas para carpa em 50% e em 70% nas dietas de tilápia.

11- Mesmo assim em 2007, fazendas de tilápia e carpa, juntas consumiram mais de 12 milhões de toneladas de farinha de peixe, mais do que 1,5 vezes a quantidade usada por fazendas de camarão e salmão combinado.


12- "Mesmo as pequenas quantidades de farinha usada para criar peixes vegetarianos somam muito quando em uma escala global". A Remoção de farinha de peixe na dieta de tilápia e da carpa traria um impacto muito positivo sobre o ambiente marinho, ela adicionou.

13- Na frente política, a Califórnia com a lei de Sustentabilidade para Oceanos e com a proposta de lei National Offshore Aquiculture,exige a redução do uso de farinhas e óleos de peixe na sua dieta.

14- "Não importa o quanto é feito do lado da procura, é essencial que haja regulamentação do lado da oferta também", diz Naylor. "Você não vai impedir o colapso da anchova, sardinha e outras espécies selvagens, a menos que esse tipo de pesca seja cuidadosamente regulamentada”.

O relatório foi publicado na edição de setembro; online; do Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Discover Rio de Janeiro - Brazil

RIO, TORCEMOS POR VOCE .... E POR TODOS NÓS BRASILEIROS!!!!!

"Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado. Digo com toda a franqueza: chegou a nossa hora. Estamos entre as dez maiores economias do mundo e somos os únicos que ainda não sediamos os Jogos Olímpicos. Para os outros será apenas mais uma edição dos Jogos, para nós não".

Presidente Lula.

World Bank Projects Cost of Climate Change

Banco Mundial divulga destinação de recursos de U$ 1 bilhão para Mudanças Climáticas e Projetos de Adaptação em países em desenvolvimento.


Informação & Conhecimento