Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Conferência do clima termina com mudança 'histórica', mas sem compromissos por cortes

 Roger Harrabin

Poluição

Conferência não teve avanços concretos em compromissos de cortes de emissões de gases
A conferência da ONU sobre o clima em Doha, no Catar, chegou ao seu final neste sábado com uma mudança histórica em princípio, mas poucos avanços genuínos em cortes de emissões de gases do efeito estufa.
Além de conseguir um acordo para estender o Protocolo de Kyoto até 2020, a conferência estabeleceu pela primeira vez que as nações ricas devem começar a compensar as nações pobres por perdas em consequência das mudanças climáticas.
 
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Isso foi comemorado como uma grande novidade pelas nações em desenvolvimento.
Mas elas condenaram a distância entre a ciência das mudanças climáticas e as tentativas políticas de combatê-las.

O acordo, apoiado por quase 200 países, mantém o protocolo vivo como o único plano legal obrigatório para o combate ao aquecimento global.
Porém ele determina metas obrigatórias apenas para as nações em desenvolvimento, cuja parcela de responsabilidade pela emissão de gases do efeito estufa é de menos de 15%.
O texto final "sugere" que as nações ricas mobilizem pelo menos US$ 10 bilhões ao ano entre 2015 e 2020, quando o novo acordo global para o clima deve entrar em vigor, para compensações pelos efeitos das mudanças climáticas.

Protesto russo

A conferência estava prevista inicialmente para terminar na sexta-feira, mas foi prorrogada por falta de consenso.
As negociações de última hora tiveram sua dose de drama, com uma ameaça de colapso com a insistência da Rússia, da Ucrânia e de Belarus de que deveriam receber um crédito extra pelos cortes de emissões ocorridos quando suas indústrias fecharam.
Após um longo atraso, o presidente da conferência perdeu a paciência, reiniciou as reuniões e passou a agenda tão rapidamente que não houve chance de a Rússia fazer objeções. A ação foi recebida com um longo aplauso.

Doha

Reunião da ONU sobre mudanças climáticas foi atrasada por impasse sobre compensações
A Rússia reclamou de uma suposta ilegalidade de procedimentos, mas o presidente afirmou que não faria mais do que refletir a visão russa em seu relatório final.
Os grandes emissores como os Estados Unidos, a União Europeia e a China aceitaram o acordo com graus variados de reservas. Mas o representante das pequenas ilhas gravemente ameaçadas pelas mudanças climáticas foi feroz em suas críticas.
"Vemos o pacote diante de nós profundamente deficiente na mitigação (cortes de emissões) e no financiamento. É provável que vá nos manter na trajetória de aumento de 3, 4 ou 5 graus nas temperaturas globais, apesar de termos concordado em manter um aumento de temperatura de no máximo 1,5 grau para garantir a sobrevivência de todas as ilhas", afirmou.
Os Estados-ilha aceitaram o acordo porque para eles é melhor do que nada.

Perdas e Danos

Outros diplomatas apontarão à imensa complexidade do processo liderado pela ONU, que vem tentando avançar do antigo Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, para uma nova fase na qual tanto nações desenvolvidas quanto em desenvolvimento assumem obrigações no combate às mudanças climáticas.
O novo mecanismo proposto de Perdas e Danos, para compensar as nações em desenvolvimento, é considerado um exemplo de sucesso no processo diplomático.
Até agora as nações ricas aceitavam ajudar financeiramente países em desenvolvimento a adotar projetos de energia limpa para combater as mudanças climáticas, mas não aceitavam responsabilidade pelos danos causados em outros lugares pelas mudanças climáticas.
Em Doha esse princípio mais amplo foi aprovado.

A maior tarefa dessas duas semanas de conferência foi o desenrolar do emaranhado de acordos do clima que foi crescendo aos pedaços nos últimos 15 anos.
A sensação geral é de que um bom trabalho de limpeza foi feito para ajudar a ONU a partir para a próxima fase, com o objetivo de conseguir um acordo com responsabilidades globais.
As discussões preliminares sobre isso já aconteceram, e deixaram evidente que um acordo global que seja justo para todos os lados será monumentalmente difícil.

COP-18 pede a Brasil e Noruega que destravem negociações

Terra

04 de dezembro de 2012 09h26   
     As negociações entre cerca de 190 países estão travadas na 18.ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) que está sendo realizada em Doha, no Catar. Em um esforço para fazer avançar a conferência, a três dias do seu fim, o presidente da convenção, Abdullah Bin Hamad Al Attiyah, pede às delegações do Brasil e da Noruega que trabalhem para destravar as conversas e avançar no sentido da aprovação de um segundo período para o Protocolo de Quioto.

A aprovação de uma segunda etapa para Quioto é o principal ponto que pode atenuar o fracasso de uma conferência marcada pelo ceticismo. Quioto é o único acordo internacional que obriga países a reduzir suas emissões de gases estufa.

Pelo acordo, que vence dia 31, as emissões dos países desenvolvidos no período de 2008 a 2012 deveriam ser reduzidas em 5,2%, tendo como base as emissões registradas em 1990. No caso das nações em desenvolvimento, a redução é voluntária. O problema está no fato de que algumas nações ricas já anunciaram que estão fora de uma segunda fase para o acordo e várias nações em desenvolvimento hoje emitem mais do que muitas nações desenvolvidas.

Hoje, as economias dos países em desenvolvimento respondem por 58% do carbono liberado para a atmosfera, ante 35% das emissões registradas em 1990. Os casos da China e Índia são exemplares. As emissões da China cresceram 10% desde 2011 e da Índia, 7,5%.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diz que os negociadores brasileiros trabalham por uma segunda etapa para Quioto. Mas, salienta, o Brasil também fará pressão por avanços nos debates sobre a Plataforma Durban. Conhecida como acordo global, a ação foi acertada por todos os países no ano passado e prevê que tanto as economias desenvolvidas quanto as de países em desenvolvimento tenham compromissos obrigatórios com a redução das emissões a partir de 2020.

"Diferentemente das últimas conferências, que começaram com tarefas bem complicadas, esta não tem uma tarefa tão difícil. Os negociadores só precisam fechar o segundo período de Quioto e começar os trabalhos para depois de 2020 (Plataforma Durban). Mas há certas delegações complicando esse processo", afirma coordenador da Câmara Temática de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), Fernando Malta.

Um estudo apresentado em Doha pela ONG Oil Change International pede corte de subsídios aos combustíveis fósseis. A organização mostra que os incentivos ultrapassam os US$ 500 bilhões anuais em países em desenvolvimento. Se o corte de subsídios ocorresse, seria possível reduzir em 10% as emissões de combustíveis fósseis no planeta até 2050, informa

Índia e Brasil dizem que falta ambição a ricos em reunião climática

29. Novembro 2012 - 19:57
Por Alister Doyle

DOHA, 29 Nov (Reuters) - Índia e Brasil acusaram na quinta-feira nações ricas de demonstrarem pouco empenho na reunião climática da Organização das Nações Unidas (ONU) em Doha, e negaram que as economias emergentes estejam recuando das promessas de intensificar a sua ação a partir de 2020.

Os Estados Unidos e a União Europeia, principais emissores de gases do efeito estufa no mundo desenvolvido, dizem que não vão elevar suas metas de redução de emissões até 2020, como parte de um esforço mais amplo para a migração do uso de combustíveis fósseis para energias renováveis.

Por outro lado, as nações ricas desejam mais ação de países emergentes com grande crescimento --a Índia é o terceiro maior emissor mundial de gases do efeito estufa, atrás de China e EUA, enquanto o Brasil está aproximadamente em 17º lugar.

As emissões mundiais de dióxido de carbono, o principal dos gases do efeito estufa, cresceu cerca de 3 por cento no ano passado, em grande parte devido à forte expansão das economias emergentes, e apesar da desaceleração econômica de muitas nações ricas.

Enquanto cada lado tenta marcar posição, as negociações patinam em seus esforços para reduzir uma tendência de aquecimento global, que cientistas da ONU alertam que deverá causar mais inundações, ondas de calor, secas e elevação do nível dos mares.

"Estamos desapontados... por os países desenvolvidos estarem no processo de se fecharem em ambições baixas", disse Mira Mahrishi, chefe da delegação indiana em Doha, em entrevista coletiva.

A reunião climática anual da ONU começou na segunda-feira e vai até 7 de dezembro, reunindo 200 nações.

"Muitos países desenvolvidos não estão... se concentrado no seu principal problema, que é em geral a energia", disse o líder da delegação brasileira, embaixador André Corrêa do Lago, à Reuters.

Mehrishi negou que o grupo de grandes economias emergentes - China, Índia, Brasil e África do Sul - esteja recuando das promessas feitas há um ano de trabalhar por um novo acordo global a ser decidido até 2015, para entrar em vigor em 2020.

No entanto, no último ano, esses países enfatizam que o acordo planejado deve preservar a divisão de obrigações entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento, definida num tratado climático de 1992.

Esse tratado prevê que a liderança da ação climática e das reduções de emissões cabe aos países ricos.

"Não é que os países (emergentes) estejam recuando", disse a indiana. "É um pacote que será aplicável a todos."



Mas o tratado de 1992 define como "em desenvolvimento" nações como Coreia do Sul, Cingapura e México, embora eles sejam mais ricos que alguns países europeus comprometidos com cortes de gastos.

Corrêa do Lago observou que o Brasil está controlando seu principal problema climático, já que o desmatamento da Amazônia caiu neste ano ao menor nível desde o início do monitoramento, em 1988. As árvores absorvem dióxido de carbono quando estão vivas, e o liberam quando queimam ou apodrecem.

E Mehrishi disse que a Índia está comprometida com sua promessa, feita em 2009, de reduzir até 2020 em 20 a 25 por cento a quantidade de carbono emitido por cada rupia de produção econômica, em relação aos níveis de 2005. Isso permite que as emissões subam, mas menos do que o crescimento econômico.

A reunião de Doha busca uma forma de prorrogar a vigência do Protocolo de Kyoto, o qual obriga que quase 40 países ricos cortem suas emissões numa média de 5,2 por cento no período de 2008 a 2012, e relação aos níveis de 1990.

Mas Rússia, Canadá e Japão já decidiram se retirar do Protocolo, ao qual permanecem associados apenas um pequeno grupo liderado por União Europeia e Austrália. Os EUA nunca chegaram a aderir ao pacto, de 1997.

Reuters

 


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